A osteoporose é uma doença metabólica do osso caracterizada por perda de massa e deterioração microarquitetural, com aumento do risco de fratura. O tratamento moderno combina medidas não farmacológicas (nutrição, atividade física, redução de risco de quedas) com estratégias farmacológicas que hoje se dividem basicamente em antirreabsortivos e anabólicos (formadores de osso), além de abordagens inovadoras em desenvolvimento.
Medidas gerais
Suplementação adequada de cálcio e vitamina D quando indicado, exercícios de resistência e de equilíbrio, cessação do tabagismo, redução do consumo excessivo de álcool e revisão de medicamentos que aumentam risco de quedas são pilares iniciais do manejo. A prevenção de quedas (avaliação domiciliar, fisioterapia) é tão importante quanto a medicação.
Antirreabsortivos (bloqueiam perda de osso)
Bifosfonatos (alendronato, risedronato, ácido zoledrônico) — são a primeira linha em muitos casos: reduzem fraturas vertebrais e não-vertebrais, têm boa relação custo-benefício e podem ser administrados por via oral ou intravenosa. Riscos raros incluem osteonecrose da mandíbula (ONJ) e fraturas
atípicas do fêmur com uso prolongado.
Denosumab — anticorpo monoclonal contra RANKL com forte redução da reabsorção óssea e boa eficácia antifratura. Importante: a interrupção de denosumab pode provocar aumento brusco da remodelação óssea e risco de fraturas múltiplas; por isso, quando se para o tratamento é recomen-
dado migrar para um bifosfonato ou outra estratégia para prevenir o “rebote”.
Moduladores seletivos do receptor de estrógeno (SERMs) e terapia hormonal (HRT) — têm papel em mulheres selecionadas; HRT protege osso mas exige avaliação de risco/benefício individual por seus efeitos sistêmicos.
Anabólicos (formadores de osso)
Teriparatida (PTH 1-34) — estimulador da formação óssea, indicado para osteoporose severa e em pacientes com fraturas múltiplas; geralmente usado por tempo limitado (ex.: 18–24 meses), seguido por antirreabsortivo. Abaloparatida — análogo do PTHrP com eficácia anabólica demonstrada; ganhou aprovações e vem sendo incorporado em programas de acesso em alguns países para pacientes de alto risco. Anticorpo anti-sclerostina com ação dual: aumenta formação óssea e reduz reabsorção. Tem demonstrado ganhos rápidos de densidade mineral óssea e redução de fraturas em estudos comparativos; entretanto, existe sinalização de possível maior risco cardiovascular em alguns estudos (por isso há precauções em pacientes com eventos cardiovasculares recentes). Romosozumabe costuma ser utilizado por um curso curto (ex.: 12 meses) seguido de antirreabsortivo.

Estratégias sequenciais e combinadas
Evidência crescente favorece o uso de terapia anabólica inicial em pacientes de muito alto risco (ex.: fratura vertebral recente, múltiplas fraturas, T-score muito baixo), seguido por antirreabsortivo para consolidar ganhos de massa óssea — essa abordagem tende a reduzir fraturas de forma mais eficaz do que começar por um antirreabsortivo isolado. Estudos clínicos e diretrizes recentes discutem sequências concretas (ex.: romosozumabe → alendronato; teriparatida → bifosfonato/denosumab), com plano claro de duração e transição.
Todos os tratamentos exigem monitoramento clínico (marcadores de remodelação óssea, densitometria quando indicado) e vigilância para eventos adversos (ONJ, fraturas atípicas, hipocalcemia no caso de denosumab, preocupações cardiovasculares com romosozumabe). A decisão terapêutica deve individualizar risco de fratura, comorbidades, preferência do paciente e custo/acesso ao medicamento.

Dr. Rodrigo Dalessandro
ORTOPEDISTA (Especialista em Coluna)
CRM-MG: 31302
@drrodrigodalessandro